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Professor das Faculdades Prominas discute sobre impactos do Coronavírus nas empresas e na economia 

Professor das Faculdades Prominas discute sobre impactos do Coronavírus nas empresas e na economia 

“E essa não é só a minha realidade, imaginem aquele vendedor de bala do sinal nesta época que estamos evitando o contato físico? Olhem os músicos, de onde eles vão tirar receita?”

Por Hellen Patriny

Apesar de inicialmente ser um assunto e um problema voltado para a área da saúde, o Coronavírus (COVID- 19) afeta várias áreas da sociedade. Uma delas é a economia e, provavelmente, você já viu nas redes sociais e nos sites jornalísticos algumas matérias ou manchetes que refletissem  o impacto da doença nesse setor.

Então, trouxemos o professor de Administração das Faculdades Prominas, Augusto Guilherme Silveira Dias para falar sobre o assunto, esclarecer algumas dúvidas e fazer um panorama da nossa atual realidade.

De acordo com o educador, que também é empresário “estamos enfrentando um momento realmente dramático no que tange a saúde do ser humano, que deve ser prioridade. Porém, temos reflexos em várias áreas, tanto nas nossas vidas pessoais, como na profissionais. Vamos ter que repensar a forma de sociedade que adotamos. A tecnologia estará mais ativa no nosso dia a dia após essa pandemia, pois teremos que confiar nela nesse momento, com o teletrabalho, com o EAD nas escolas, dentre outros”.

O empreendedor explica que ocorrerão algumas mudanças no cenário econômico, em relação as profissões e aos investimentos, além da mudança de peso de alguns fatores na balança finaceira.

“O profissional da saúde será valorizado, algumas prioridades serão invertidas, provavelmente aquela ideia de Estado Mínimo será mudada para Estado Necessário. Puxando para a Administração, teremos um reconhecimento muito grande neste profissional, pois questões da nossa área do conhecimento estão em alta, como logística, gestão de materiais, processo decisória, dentre outras, que muitas vezes estão sendo exercidas por amadores, que, por sua vez, entregam péssimos resultados para a sociedade”, explanou.

Já quando o assunto é o impacto da COVID-19 nas empresas, em específico, o Augusto Guilherme, comenta sobre as manchetes que são cada vez mais frequentes e dissuadidas nessa era digital.

“Saiu uma reportagem falando que 80% dos pequenos negócios podem quebrar, e isso é uma realidade. E não somente pequenos negócios, os grandes devem ter problemas financeiros. Uma empresa depende da sua receita para pagar seus funcionários, impostos, fornecedores e se essa cadeia é quebrada, geralmente, essas empresas não possuem reserva financeira para segurar essas dívidas.  Os grandes empreendimentos, por exemplo, se têm sobras, aplicam as mesmas em investimentos, em novos negócios, em expansão ou novos produtos. Portanto a receita versus despesa é totalmente ajustada em todas as empresas, porém as pequenas não possuem capacidade alta de endividamento, o que gera uma possibilidade muito maior de falência”, esclareceu.

Ao ser questionado se haveria destoância entre a falência por setores, o professor comentou sobre o assunto por meio de sua própria vivência empresarial.

“Óbvio que alguns setores serão mais prejudicados, como as empresas vinculadas ao entretenimento, que é um dos primeiros nichos afetados pelas crises, pois se temos que escolher onde vamos cortar, será na diversão e não na comida. Eu, especificamente, sou dono de duas empresas, uma consultoria empresarial e um bar. Sobre a consultoria, eu já tive três clientes que pediram a suspensão de contratos por dois meses, o que já era esperado. Agora eu tenho que me adaptar diante de uma receita que não cobre mais a minha despesa e isso impacta na outra ponta, pois tenho que alongar os prazos de pagamento dos meus parceiros”, afirmou.

O profissional continuou o seu raciocínio.

“Sobre o meu bar, a situação é mais complexa ainda, até mesmo pelo perfil do meu público, que é mais politizado e mais consciente. São universitários, muitas vezes professores de faculdades, que de certa forma esperam um engajamento maior da empresa e a minha decisão diante desse cenário e do posicionamento de marketing foi por suspender as atividades, o que nos leva a ter receita zero em cima de despesas que continuam, como salário de funcionário, pagamento de impostos, água, luz, internet, perda de produtos perecíveis, etc. E essa não é só a minha realidade, imaginem aquele vendedor de bala do sinal, nesta época que estamos evitando o contato físico? Olhem os músicos, de onde eles vão tirar receita?”, indagou.

Referente às possíveis soluções, o administrador atribui a responsabilidade sobre grande parte delas ao poder público.

“Cabe agora ao Estado ajudar as pessoas, se preocupando com a saúde em primeiro lugar e depois pensando na questão do crédito, para ajudar esses profissionais e as empresas que serão afetadas. Assim poderemos diminuir essa previsão de 80% de falência, por meio da aplicação do Estado Necessário”, concluiu.